Os "ismos" de vanguardas.


Paulismo 
É uma invenção de Pessoa cujo nome deriva do poema “Impressões do crepúsculo”. O Paulismo é um refinamento dos processos simbolistas, um estilo que se define pela voluntária confusão do subjetivo e o objetivo por:
associação de ideias desconexas.
Frases nominais e exclamativas.
Aberração da sintaxe.
Vocabulário que expressa aborrecimento de viver (“Tão sempre a mesma, a Hora!”), o vazio da alma, um vago além (uso de maiúsculas nas palavras de mais importância).
Perante o tédio de viver há uma ânsia de ideal e de alienação de si mesmo nos limites (“horizonte”, “portões”) do mundo de sonho criado por ele próprio.
O poema que inicia o Paulismo, “Impressões do crepúsculo”, é o precedente da poesia modernista em Portugal. O Paulismo conjuga duas tendências opostas:
Saudosismo (Teixeira de Pascoaes).
Simbolismo – decadentista, que segue as tendências estéticas europeias.

Interseccionismo 
O Interseccionismo deriva do Paulismo, supõe a adaptação deste às novas correntes estéticas:
Futurismosobreposições dinâmicas, técnica procedente da pintura que se aplica à poesia modernista.
Cubismosobreposição dos planos dos objetos (presente e passado, real e onírico), que reflete a superposição das sensações. 
O poema “Chuva oblíqua” (publicado na revista Orpheu) é considerado o exemplo mais significativo do Interseccionismo.

Sensacionismo 
O Sensacionismo (Walt Whitman) é criado por Pessoa e Mário de Sá-Carneiro e supõe uma arte sem regras que tenha como base a sensação. O mesmo Pessoa explica em diversos textos em que consiste, assim diz-nos que os três princípios da arte são:
O da sensação: as sensações devem ser plenamente expressas.
O da sugestão: a expressão das sensações deve evocar o maior número possível de outras sensações.
O da construção: o assim produzido deve parecer-se a um ser organizado.

 Simultaneismo
 
O termo Simultaneismo foi cunhado por Robert Delaunay, embora tome o nome de Michel-Eugène Chevreul.
Em 1913 os futuristas dizem serem os primeiros em introduzir nas suas obras a ideia de simultaneidade. Deste jeito, a sua pintura quer expressar uma sensação dinâmica com a decomposição do movimento.
É Apollinaire quem adapta e generaliza o termo, já que o usa para designar um princípio artístico que consiste em que os elementos sem relação se justapõem de jeito arbitrário, dando lugar ao contraste entre eles. 
A simultaneidade foi um dos conceitos mais discutidos nos anos anteriores a I Guerra Mundial.

Futurismo 
O Futurismo aparece de forma oficial em 1909 com o Manifesto Futurista de Marinetti e as suas principais características são:
Rejeição do passado e do moralismo.
Evocação dos avances tecnológicos.
Os primeiros futuristas também exaltavam a guerra e a violência
Em Portugal o Futurismo aparece por primeira vez no número dois da revista Orpheu, dirigida por Pessoa e Mário de Sá-Carneiro.  
 Nas odes de Álvaro de Campos (um dos heterónimos usados por Pessoa) aprecia-se uma mistura e Futurismo e Sensacionismo (Walt Whitman):
“Ode triunfal”: amais de cantar aos avances da técnica também evoca o passado (“Canto, e canto o presente, e também o passado e o futuro, porque o presente é todo o passado e todo o futuro”).
“Ode marítima”.

Importância da revista Orpheu 
A revista Orpheu conjuga todos os movimentos literários modernos (Simbolismo, Decadentismo, Paulismo, Simultaneismo, Futurismo, Cubismo, Expressionismo, Sensacionismo, Interseccionismo...) elevando a Portugal à dimensão do moderno e da Europa




Comentários

  1. Excelente destaque! Os livros eram artigos de luxo nessa época então, as revistas e jornais literários eram a opção mais econômica para quem gostava de ler. Esses impressos tinhma a função de informar sobre as tendências dos grupos de artistas e intelectuais que nasciam nos cafés de Lisboa ou nas redondezas. A revista "Orpheu" foi essencial para Fernando Pessoa pois nela, divulgava sua obra.


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