Vida Pessoal de Pessoa (Parte I)
Nascimento e infância
Em 13 de Junho de 1888, pelas 15h20,
nasceu Fernando António Nogueira Pessoa. O parto ocorreu no quarto andar
direito do n.º 4 do Largo de São Carlos, em frente à ópera de Lisboa (Teatro de São Carlos). Seu pai era Joaquim de Seabra Pessoa, funcionário público do
Ministério da Justiça e crítico musical do Diário de Notícias, e sua mãe era D. Maria Magdalena Pinheiro Nogueira Pessoa. Viviam com eles a avó Dionísia, doente mental, e duas criadas velhas,
Joana e Emília.
A escolha de seu nome foi em
homenagem a Santo Antônio,
dado que a família de Pessoa tinha uma ligação genealógica com Fernando de
Bulhões (nome de batismo do Santo), além do dia de comemoração Dele ser o mesmo
dia em que Fernando Pessoa nasceu.
A infância e adolescência foram
marcadas por fatos que o influenciariam em sua escrita, posteriormente. Às
cinco horas da manhã de 13 de
Julho de 1893, morre o pai, com 43 anos, vítima de tuberculose. Fernando tinha apenas cinco anos. O
irmão Jorge viria a falecer no ano seguinte, sem completar um ano, em 2 de Janeiro de 1894.
Em outubro de 1894, o comandante João
Miguel Rosa (1857-1919) apaixona-se por Maria Madalena, logo casando-se com a
viúva e fazendo com que a família se mudasse para Durban, África do Sul. Por
ter sido educado neste país, numa escola católica irlandesa, Fernando chegou a
ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português, escrevendo
assim seus primeiros poemas nessa língua.
Foi um dos melhores alunos do Durban High School. Em 1899 cria o seu
primeiro pseudônimo, Alexander Search, para enviar cartas a si mesmo. Em 1901, outra tragédia cai sobre sua
família: sua irmã Madalena Henriqueta, de apenas dois anos de idade, falece.
Juventude
De volta à Lisboa, morou com a
família em Pedrouços e depois na Avenida de D. Carlos. Nessa época, escreveu o
poema “Quando
ela passa”. Tendo
de dividir a atenção da mãe com os filhos do casamento e com o padrasto, Pessoa
isolou-se, o que lhe propiciou momentos de reflexão.
Fernando
Pessoa permanece em Lisboa, enquanto todos seus familiares regressam a Durban.
Volta sozinho para África a fim de estudar de noite em Durban Commercial School, enquanto de dia estudava as disciplinas
humanas para entrar na universidade.
Nesse
período, tentou escrever contos em inglês, alguns dos quais com o pseudônimo
de David Merrick, que deixa inacabados. Em 1903, candidatou-se à Universidade
do Cabo da Boa Esperança. Na prova de exame de admissão, embora não tenha
obtido boa classificação, tirou a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês.
Um ano
depois, ingressou novamente na Durban High School, onde frequentou o
equivalente ao primeiro ano universitário. Escreveu poesia e prosa em inglês, surgindo os heterônimos Charles
Robert Anon e H. M. F. Lecher. Publicou no jornal do colégio um ensaio crítico
intitulado Macaulay. Por
fim, encerrou seus bem-sucedidos estudos na África do Sul com o Intermediate Examination in
Arts, na Universidade, obtendo uma boa classificação.
Interessante, mesmo a maioria dos personagens criados por ele sendo os heterônimos, ainda assim houve a criação de pseudônimos, como o David Merrick, que acabou ficando inacabado. É como se ele se identificasse com alguns personagens e com outros não, deixando os que ele não se "identificava" de lado.
ResponderExcluirMuitos pesquisadores dizem exatamente isso, chegando ao ponto de falar que Pessoa "matou" certos heterônimos que não se identificava mais.
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