Fernando Pessoa e o Modernismo.

    O movimento artístico chamado Modernismo, em Portugal, deu seus primeiros passos em 1910, numa época de transição e de instabilidade política naquele país com a mudança do regime monárquico para o regime republicano. Porém, o ponto alto de início desse movimento deu-se em 1915, com a publicação da revista Orpheu, que tinha entre seus escritores Mário de Sá Carneiro, Fernando Pessoa, Luís de Montalvor, Almada Negueiros e até o primeiro brasileiro Ronald de Carvalho, todos com o objetivo de revolucionar e de atualizar a cultura portuguesa no cenário europeu.
   Modernismo, não foi apenas produto de uma evolução estética: ele decorreu de todo um estado de espírito formado pela cultura da época e que repercutiria em todas as artes, integrando literatura, pintura, música arquitetura, cinema, etc.
     Acompanhando as tendências de vanguarda que nasciam pela Europa, a temática artística apresentava-se com veias de inconformismo, de instabilidade, com o desejo de romper com o passado, de aderir a ideias futuristas, dando maior vida – e visibilidade – ao país. A Europa como um todo vivia um momento de efervescência cultural: a realidade reinterpretada pelos artistas, a crítica aos costumes ultrapassados e a ânsia em aderir e em acompanhar os avanços tecnológicos que rompiam com conceitos já estabilizados, porém atrasados. Tanto que, na literatura, a ideia futurista foi a mais explorada pelos escritores. O manifesto técnico da literatura futurista pregava, assim como no modernismo brasileiro, a destruição da sintaxe, o uso de símbolos matemáticos musicais e o menosprezo por adjetivos, advérbios e pontuação.
Fernando Pessoa teve o mérito de introduzir o Modernismo entre nós e fazer comungar a produção nacional do mesmo espírito que animava, no início do século XX, a criação artística europeia.
Fernando Antônio Nogueira Pessoa – Fernando Pessoa – participou da primeira geração do modernismo português e foi considerado, junto a Camões, o maior poeta de Portugal.

 A obra de Fernando Pessoa é caracterizada pela busca da despersonalização e da fragmentação do eu do poeta em múltiplas personalidades o que possibilita a criação de um universo literário em que sinceridade e fingimento são discutidos de maneira rica, densa e intrigante. Para compreendê-lo é fundamental conhecer a produção de seus heterônimos.



Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Fernando Pessoa: a vastíssima incógnita expressada em heterônimos.

Obra completa de Fernando Pessoa.